Autora: Megan Crewe
Editora: Intrínseca
Páginas: 267
ISBN: 978-85-8057-330-5
Classificação:





Kaelyn acaba de ver o melhor amigo partir. Ela tem dezesseis anos e voltou agora para a ilha onde nasceu, depois de um período morando no continente; ele está fazendo o caminho inverso, para estudar fora. O que sentem um pelo outro não está muito claro, ela o deixou ir embora sem nem mesmo dizer adeus, e a última coisa que passa por sua cabeça é nunca mais vê-lo. Mas, pouco tempo depois, isso está bem perto de acontecer.
A ilha de Kaelyn foi sitiada e ninguém pode entrar nem sair: um vírus letal e não identificado se espalha entre os habitantes. Jovens, velhos, crianças - ninguém está a salvo, e a lista de óbitos não para de aumentar. Entre os sintomas da doença misteriosa está a perda das inibições sociais. Os infectados agem sem pudor, falam o que vem à mente e não hesitam em contaminar outras pessoas. A quarentena imposta pelo governo dificulta as pesquisas em busca da cura, suprimentos e remédios não chegam em quantidade suficiente e quem ainda não foi infectado precisa lutar por água, energia e alimento.
Nem todos, porém, assistem impassíveis ao colapso da ilha. Kaelyn é uma dessas pessoas. Enquanto o vírus leva seus amigos e familiares, ela insiste em acreditar que haverá uma salvação. Caso contrário, o que será dela e de todos?
Afiado e atordoante, O fim de todos nós é a história da força de vontade e da bravura de uma garota comum forçada a reavaliar seus medos e escolher entre a própria humanidade e a sobrevivência.
Depois de um tempo no continente,
Kaelyn e sua família voltam à ilha em que ela nasceu. Mas ela não está muito
animada com esse retorno, já que seu melhor amigo, Leo, é quem está partindo
agora, e ela sente que não o verá mais.
E ela estava quase certa sobre
esse pressentimento, já que, pouco tempo depois, um vírus novo e letal começa a
ameaçar a paz e a tranquilidade da ilha. Não há predileção por idade, sexo ou
etnia, todos correm o risco de serem infectados; entre os sintomas estão os
sintomas de uma forte gripe, associados à coceira, e nos casos mais graves,
perda das inibições sociais e alucinações. E o números de infectados e mortos
não para de aumentar.
Logo, o governo decide colocar a
ilha em quarentena, o que reduz os recursos para as pesquisas e para que a cura
seja encontrada. Os sinais de internet e telefone já estão mudos, o que
dificulta a comunicação com o continente, o único hospital da ilha já está
completamente sobrecarregado, e os habitantes saudáveis precisam ainda lutar
por água, alimentos e energia, que estão escassos.
Mesmo assistindo todos ao seu
redor, familiares e conhecidos, sucumbirem à essa nova e misteriosa doença,
Kaelyn percebe que não pode se deixar vencer... Com a ajuda de Tessa, namorada
de Leo, e de Gav, ela precisa lutar, e acima de tudo, ter esperança de que há
uma cura. Porque se eles não tiverem ao menos isso, tudo estará perdido.
O Fim de Todos Nós é uma leitura intrigante e surpreendente, que
vai deixar seus olhos grudados nas páginas até o final.
A história, muito bem arquitetada
e construída, é relatada através de um diário de Kaelyn, o qual ela escreve
tudo o que está acontecendo na ilha, e como ela se sente, para seu melhor
amigo. Achei extremamente interessante como a autora abordou essa temática de
pandemia, o impacto que isso causa nas pessoas e a mobilização pela
sobrevivência.
Apesar dos clichês que sempre
observamos, a obra de Megan Crewe carrega sua própria marca, sendo criativa e
inovadora.Gostei muito dessa característica do vírus, um ser infimamente pequeno,
invisível aos nossos olhos, consegue derrubar um dos maiores bens do homem, a
humanidade.
Se eu voltar, talvez erre outra vez. Mas talvez ajude, mesmo que minimamente. Se pular da beira do penhasco, será o fim de tudo. Serei omissa, deixando o vírus, a gangue e a desesperança vencerem, por toda a eternidade. Não consigo imaginar nada pior. Por mais dolorosas que sejam as tentativas.
Página 259
Os personagens são ótimos, bem
moldados e caracterizados. É fácil criar um vínculo com eles, se sentir
próximo, sentir suas frustrações, seus medos, anseios, desejos, alívios e
felicidade; é fácil se identificar com eles e torcer para que tudo dê certo.
Kaelyn é uma sobrevivente, não
apenas do vírus que devastou a ilha toda, mas da vida. E é perceptível,
palpável o quanto ela amadurece com toda a situação, porque mesmo sendo uma
adolescente de 16 anos, ela se mostra adulta o suficiente para lidar com os
problemas. Afinal, aquilo que não nos derruba, só nos fortalece.
Sou suspeita para falar, pois
esse gênero é um dos meus favoritos, e só me surpreendi com este livro. É uma
leitura rápida, deliciosa, com capítulos curtos, daquelas que a gente pensa
“Ah! Só mais uma página...” e quando percebe, já acabou.Uma história que carrega
com si drama, romance, ação, suspense, e que em muitos momentos nos faz refletir
e pensar o que faríamos se isso acontecesse conosco. O final me decepcionou um
pouco, não por ser ruim, mas por terminar em aberto, e me fazer ficar
completamente ansiosa pelo próximo livro.
O Fim de Todos Nós é, acima de tudo, uma história de esperança,
superação, da luta pela sobrevivência até que se esgote o último dos recursos.
Uma obra instigante, inteligente, que envolve e conquista completamente o
leitor!
O Fim de Todos Nós foi uma cortesia da parceira Intrínseca



























30/04 a 21/05 - 










